quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Epílogo


Se por amar demais eu te perdi,
Se minhas lágrimas de amor em ti secaram
Se tudo que era meu e ofereci
Teus dedos descuidados nem tocaram

É que a minha estrada tu cruzavas
E eu tinha os dedos repletos de carinho,
A garganta entulhada de palavras
E porisso te abordei no meu caminho.

E se tocaram, no acaso dos passos,
Nossas mãos; e se estreitaram.
Nos fundimos, depois, em mil abraços
Que as palavras contidas libertaram

E o desejo construído por afagos
Fez, de dois que éramos, um apenas.
E transformou os minutos em instantes vagos
E, de gemido que tínhamos, fez centenas.

Saciada tua sede e tua fome,
Abandonaste logo o meu caminho
E quando eu gritei pelo teu nome
Um vento devolveu-me em desalinho.

Mas, de repente, olhei os passos dados
E as pegadas dos teus, então, não vi.
Minhas lágrimas e meu carinho abandonados
No caminho trilhado, eu os perdi.

E sozinha prossegui na caminhada,
Somente a solidão a me seguir
E senti que a ternura me foi dada
Pela sombra de alguém que está por vir.

(Marcus Pereira – Inconfidências)

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